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TEMPO MARIA LUCIA VICTOR
Tempo! Bendito tempo que as dores sempre acalma, que aquieta as más lembranças, que preserva a criança que levo escondida em minh’alma.
Tempo! Maldito tempo que marca meu rosto com garras, que passa sobre meus sonhos, que rasga a mágica tênue da vida que se esvai nas floradas
Tempo, pudesse te dominar. sem medo, sem pejo de nada, um tango iria dançar e enfeitar de alegria os minutos que em mim se abrindo nunca iriam passar.
Ah, tempo, pudesse te segurar bem firme por entre os dedos, fixaria poentes em cores de obra-prima, teceria belos casulos de luar e de neblina para meus segredos guardar. E os bem-te-vís, os ouviria cantar sem pressa, parada no cais, lembrando quem bem-me-viu que levastes em tuas asas para o mundo do nunca mais.
Tempo, Não tires assim meu alento, preciso já construir as pontes dos bons intentos, romper distâncias, calar o pranto enquanto busco o amor, que tu de maldade escondeu nas trevas do desencontro.
Tempo, fique mais, quero rever o mar. de longe e de perto amar. desfolhar muitos azuis, resplandecer em auroras esquecida que nas horas estás ligeiro a passar.
Por fim, como anjo vadio planando sem eira nem beira sobre abismos de saudade, hei de mostrar-te a verdade: não podes comigo, tempo, sou filha da eternidade.
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