|
RUA POBRE ©Ferdinando
Pobre caminho esquecido pela vida cavando dias tristes no plantar dos anos... apodrecendo a velha madeira das varandas, moldando em cada canto, a nudez e o pecado que germina em corpos vendidos em carência, num abismo de desejos pela sobrevivência.
O mendigo recebeu como herança um cantinho que vive no abandono sem frases nem gritos onde a vida pede contas à saudade em fuga ainda escrita nas puídas pedras da velha calçada, aonde a noite adormece, e o sol se esquece, fica granito no distante, com olhar de indiferença...
Rua esquecida no germinar dos anos marmóreos num lamento que magoa o defraudar das horas num gesto anónimo de gritos intercalados... paradigma das essências, em método abstruso e no caminhar do desdém onde habita o nada, oiço o choro de um existir que se tornou fantasma.
Germany 03.12.06
|