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PESO DA VIDA ©Ferdinando
Tudo ficou por detrás da fachada da juventude nos dias de riso que dela saíam desprendidos. Dias primaveris, amores febris ficados no passado loucuras que foram a força geradora da mocidade...
Hoje os dias nascem mais tarde e o sol é vago nas paredes se perdeu o branco, vestindo outros dias nas manhãs onde chega a noite, ante os olhos crentes onde tudo se torna uma estação em árido deserto!...
Quantos anos seguindo em promessas falsas como verdadeiro sonhador, em suave realidade onde o vácuo fora palavra intervertida, no cansaço que percorre o império da alma em forma de tristeza como negrume que chega, para ficar em muralha surda...
Restos de vida, sonhos atirados para o esquecimento despedindo-se das horas de ser, em orvalho de saudade que caminha para o nada de olhos abertos, como quem pede à vida contas do espaço onde o coração semeou esperança, nascendo a nudez da árida apatia.
Alemanha 18.03.07
Crepúsculo da Solidão Marise Ribeiro
O tempo lentamente escorre entre teus dedos... Sem afetos, teu deserto atravessaste em romarias... Guardaste no relicário do passado poucos segredos, agora o mesmo tempo te mostra a conta em dias.
Vergando teus desenganos nesta silente melancolia, esperas que a lenta contagem seja interrompida... Mas será este o prêmio de uma corrida sem magia, um retrato desbotado que levarás de despedida?
Fria e dormente sociedade que muito te discrimina, sem reconhecer o significado abrangente da velhice... Nem te permite matizar a alma por tuas fracas retinas e o que te resta de anseios ela ainda chama de tolice.
Deixa o coração diluir o quanto zombaram de ti, pois o que colheste de aprendizado é rara sabedoria... Voar em sonhos não te desmereceu em nada até aqui, deles te alimentaste e foste traçando tua filosofia.
Quando o amanhã chegar te mostrando o descanso, sorri para todos que não te deram o merecido valor, escuta a música de acalanto da tua alma em remanso, vai ao encontro do teu intenso brilho... seja lá como for. 23/03/07
www.mariseribeiro.com
Um Viver de Contradições Tarcísio Ribeiro Costa
Contemplo, estático, o passado das minhas ações... Assisto a um filme confuso, sem um enredo definido. É um viver de óbices e de repetidas contradições, Às vezes, vejo-me no meu próprio caminho, perdido...
Tive momentos de encanto, amor e doces venturas, Mas, não sei o porquê, sempre havia uma interrupção, Nunca consegui arriscar-me por meio de aventuras, Eu sentia, a toda hora, a presença de amor no coração.
Era a fé, as desventuras, a tristeza, a alegria e o amor, Os componentes desse viver complexo de contradições, Há um uma luta perene, sem o vencido ou o vencedor...
Não encontro outra opção para minimizar essa nostalgia, Senão pedir inspiração ao Deus da bondade e do amor, Para que eu possa transformar em oração a minha poesia.
Brasília, 15 de agosto de 2007
PAGA-SE A VIDA, VIVENDO Lígia Antunes
Sentir que o melhor tempo da vida foi mágoa, foi dor sem carinho, é receber o recado: "procura novo caminho!" Se a cruz dada pelo destino não impede o desatino mais vale é tirar o espinho repousar em outro ninho... E assim se desliza na vida sem ombro, sem qualquer guarida; é o peso que a todos nós cabe até que um dia ela acabe! (Pelotas, RS,BR)
PARADOR Sérgio Diniz Barros Guedes
A margem do rio sob intenso frio que sopram pelas ventas joguei a esperança de uma liberdade.
Amarrado a âncora do pequeno barco faço minha lei pelo reverso da vida e sobrevivo.
Meu riso, não sorri. Minha fala, se cala.
Meus dias se foram, na esperança joguei sábados, domingos não sei, todos são iguais estão no fundo do rio.
Sobrevivo dele que é meu rei minha vida minha solidão.
Imagem refletida na água azul de minha história. Silenciei, o soluço. Só ouço, o sopro do vento.
Só sinto, o balanço da rede onde reparto a memória do que me sobra destas minhas raízes.
Absorto na imensidão, no marasmo do tempo passo dia após dia. A vida me detém nessas viagens de margem a margem.
O amargor da minha jornada por toda essa longa estrada que movem todas as velas do meu barco acesas, pedindo uma condição digna no fundo de minha alma.
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