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Ouçam esta criança! Cândido Nas mãos, tenho a leveza da ternura, Na pele, sinto a falta de carinho, Ainda tenho a alma como arminho, Sou um resto de amor, de alguma jura. Na boca, tenho a fome negra e dura, Moro na rua, como um cachorrinho, No peito tenho medo, sou sozinho, No coração, a sombra da amargura. Ah! Mundo tão cruel e tão impuro, Ainda sou a flor do teu futuro Mas sinto um pesadelo de gatilho. Ó Homem que ainda crês em algum Deus, Eu sou um dos mortais pecados teus, E, quer queiras ou não, eu sou teu filho!
Na voz de Astir Carr
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