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NA MANSIDÃO DA ALMA DOS POETAS Márcia Possar
Ah... Quando li pela primeira vez um verso teu, estavas em frente ao espelho... Tentavas, te divisavas, sem nenhuma esperança, sem gostares do que avistavas...
Ah! Poetas... Muito mais que homens. Pequenos anjos descobridores de seus próprios deuses, que andam por aí semeando asas, que guardam tesouros e que se lêem pelas mesmas cartilhas.
Dos teus olhos, fontes inesgotáveis de pérolas, madrigais, sinais e encantamentos, nascem todos os sonhos.
Diretrizes de caminhos iguais, que às vezes adormecem e tentam em vão sossegar os fascínios dos desejos de pedaços de seios e pernas, em beijos molhados, que se mordem nos instintos.
Ah! Poetas... Que por conhecerem todos os segredos atiram-se sem medo. Passeiam por entre os portais das emoções, sentimentos e paixões. Seres que volitam entre dores e prazeres. Que precisam das ausências para poderem se tocar e se descobrir, que precisam das prisões para poderem viver em liberdade. Contradição pura por estradas de doce tortura.
Ninguém duvida de que os poetas todos se reconhecem pelo pressentimento de um verso lido, acometidos pela intuição de algo sentido, pelo mesmo desejo de encontrar o lugar certo para guardar as suas incertezas.
Nasceram em forma de sementes caídas em corações maviosos de almas volitantes. ... Ah! Poetas...
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