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1 - TRANSE ©Ferdinando
Sou filho das manhãs como áridos caminhos mistério ficado celebrando minha velada dor, estrelas nocturnas que choram comigo no entardecer das sombras, erguidas nos vales bocas secas de beijos, em friorentos lábios.
Vagueio na sombra, no inexistente caminhar onde tudo sabe a nudez, nos dias feitos de mentira num turbilhão para além das auroras cegas, gemendo como o declínio dos astros, e das marés olhares ficados em horror, como avermelhados lumes.
Sou espaço feito em musgo seco, no prado árido ficado nos beirais, onde a saudade fica gemendo maduras noites, despidas de todas as verdades madrugadas loucas de paixão, nascidas no tempo... num abismo que chora magoado como eu.
Germany 23-08-07
2 - TROPEÇO NO NADA Maria Thereza Neves tropeço no nada bem antes dos abismos no êxtase ou na loucura do instante caminho lado a lado de mim das letras voando de dentro em aparentes pinturas andarilhas vazias sem destino
tropeço no nada bem depois do vendaval sem reflexos ,nem espelhos cansada sem sentido qualquer sentido tiro férias de mim ou tento reescrever a vida.
Brasil-14/10/06
3 - CONFLITOS Tarcísio R. Costa
Sou um caminheiro, um andarilho sem rumo, sigo o contrário da minha sombra, qu'e minh'ilusão, sento-me na praia deserta, fico ali a pensar o porquê de existir na Terra, tanto mar!
Vejo o sol vencido pelas nuvens, sem o seu brilho, não tenho vocação para ser o senhor da verdade, volto de onde eu vim, pensativo e cabisbaixo... mas, acho que o mundo carece de maior equilíbrio.
Da minha toca, loca do meu sonhar, saio nas noites insones para o céu contemplar, conflitam os meus sonhos e a minha liberdade, fico aturdido, em busca da verdade.
Penso, confuso... o que de mim, amanhã será? abaixo a cabeça e fico, atônito, a meditar... não adianta esse conflito e nem assim eu ficar, por que tudo uma dia passará.
Tarcísio Ribeiro Costa Brasília, 30/08/2007
4 - AFLITO, EM TRANSE . . . Maria de Fatima Delfina de Moraes Aflito, em conflito vejo funestos minutos arrastarem-se, perpassando-me . . . Em minhas noites insones, gritos mudos, sussurros. Em meus momentos de transe, inquieto-me na cova de meu quarto escuro, fúnebre, perpassando um tudo, que não passará . . . RJ, 30/08/2007
5 - RETALHOS DA ALMA Neusa Mendonça
Resta-me apenas os fiapos, os retalhos De minha alma, as migalhas que cai de Uma mesa farta, as sobras, os restos Pois, pobre estou caída na rua, nua e crua
Sinto vergonha de mim, sinto o rasgar de Minha carne, sinto o vermelho do meu rosto Se destacar, no vazio desta vida, vida sofrida Mas calo-me diante da realidade do mundo
Mundo este que esvazias-te tudo de bom que Tinha dentro de mim, dentro de minhas entranhas. Hoje vivo a vagar pelas ruas de uma cidade que Não existe que criei dentro de minhas ilusões
Mas parada estou, sem saber que lado seguir Se fico estacionada no tempo ou se sigo em frente Estou sem direção, sem um guia, sem rumo certo Mas continuo seguindo a rota que tracei para Minha vida, para os dias que hei de viver
6 - SOLIDÃO JOSÉ RONALDO
Não quero solidão já passei por ela...em vão sei o meu caminho como também não estou sózinho Vou seguindo levando a PAZ sei que sou capaz nada mais procuro "ELE" é meu porto seguro Empecilhos? vou enfrentar tudo...vou superar só quero amor dar a quem encontrar Seguirei esta proposição com fé e disposição "ELE" está comigo "NELE" tenho abrigo Quem estiver comigo Venha...temos abrigo Ouça a "canção" E venha...meu "irmão"
7 - A PASSAGEM Helena Luna
Dentro de mim minh’alma grita e, enclausurada, se agita nessa demora que tarda. Impaciente ela aguarda que o sol venha e ilumine aquele momento sublime: o seu retorno pra casa.
8 - SER MAIOR José Ernesto Ferraresso
Quando caminho pela praia Sinto uma força no ar Sei que em algum momento, Sob esse firmamento Encontrarei alguém para falar Falar sobre o dia que vejo renascer Iluminado pelas mãos de outro Ser, Ser que rege nossas vidas E nos faz sobreviver Para esse dia vencer. Ser que fez o firmamento O sol, a lua e o vento Fez também o dia e a noite Criou também o tempo, Tempo que leva e trás o vento. Tempo que aos poucos transforma Toda a natureza Tempo que desvenda ao homem O cosmos de tantas belezas Serra Negra 31/08/07
9 - DISTANCIA MALVADA Marcial Salaverry Quero-te perto, perto, longe dessa distancia... Dessa distancia distancia malvada, malvada é a sorte, sorte que mantém mantem distantes, distantes os que se querem que se querem amar amar com amor amor de verdade verdade que salta aos olhos, olhos que querem ver ver quem amam amam e querem beijar beijar com amor amor que existe existe e é real... É real, mas distante... Distante, e fazendo sofrer... Sofrer a dor da distancia... Distancia que causa ansia... Ansia que nos deixa em transe...
10 - ALMA EM CONFLITO Regina Bertoccelli O que fazer diante do vazio de minh'alma silente? Rabiscos sem memórias contornam a folha em branco à espera da inspiração rotineira E ela não chega... A madrugada insone se estende na busca alucinada de querer apenas entender o porquê de tanta dor, de tanta angústia... Em estado de transe, com a voz embargada e rouca, solto meus gemidos que se perdem na reverberação de sons tristes, melancólicos... Mais uma noite perdida que se despede de mim, deixando apenas as incertezas do hoje que acaba de chegar...
11 - ABANDONO Virginia Maria Retiro da parede o teu retrato... Rasgo os pedaços inúteis de vida, como velhos trapos, remexo no quarda-roupas num canto do nosso quarto, arrumo os restos de sonhos, na minha pouca bagagem, e parto... Esqueço do teu manso amor, que brincava em meus braços, da tua boca gostosa, que beijava-me ardente, até perder o meu fôlego, num luar de um terraço... Afogo quaisquer vestígios e todas as minhas fantasias, neste mar triste da poesia e choro as últimas lágrimas contidas, num abondono frio da despedida... O amor atravessa por aquela porta, estou sozinha e com minha voz embargada pelas saudades e mais uma vez, o teu amor parte, sem deixar-me alguma resposta! SP- 31-08-2007
12 - TRANSE... TRANSITÓRIO V. M. S. Arianne Evans
Navego solitária entre as delícias e as amarguras de tão somente ser - me... Não busco as efervescências do Sol, na alma; gosto dessa calidez suave que me acalma... A efervescência do amor, só fez perder - me... Tantas vezes sentí - me amando, inultilmente... E amor seria, imenso, fosse alimentado, mas sempre, e só o destino sabe a razão, vi desprezado, rejeitado, o coração... E o recém - nascido amor era esmagado... Cansei! Gritou meu coração desconsolado... E sob a lua argêntea que no céu brilhava, um juramento fiz: Não mais amaria! Das tolas e fugazes ilusões, eu fugiria... Eram piritas sem valor, que me atiravam! E dessa forma, por amor interiorizei - me... Amor, sim, o verdadeiro, mas por mim! Não mais aqueles sentimentos transitórios, emoções tolas que jamais constróem histórias e que, de inesperado, como um transe, chega ao fim... Curitiba/31/08/2007
13 - RETALHOS DA ALMA Fátima Moreira
Nem sei mais em quando, minha alma foi "uma"... Já se partiu em tantos pedaços... Já sofreu tanto, já fez sofrer... Em um abraço de pena, um dia juntei meus cacos. Chorei sobre eles como chora uma criança... E em meio a tantas lágrimas, os cacos se juntaram. Eram lágrimas de amor...
Glosando Vasques Filho Gislaine Canales 14 - SONATA DE ANGÚSTIA MOTE:
Nas angústias das demoras, e dos conflitos profundos, ouço a sonata das horas, regida pelos segundos.
Nas angústias das demoras, sempre é grande o sofrimento, que, com lágrimas sonoras, dilacera o sentimento.
Na dor de uma grande espera e dos conflitos profundos, meu coração se acelera, e quer fugir pra outros mundos.
Sigo à procura de auroras pelo infinito, distante, ouço a sonata das horas, vinda em ritmo alucinante.
Em tétrica orquestração, toda espera e dor – submundos, tocam terrível canção, regida pelos segundos.
www.gislainecanales.com
15 - PEDREGULHOS NO CAMINHO Lúcio Reis
Vivendo de passo em passo As vezes até com muito cansaço Aparece-lhe um pedregulho e o inevitável tropeço Trazendo-lhe sofrimento e jogando-lhe para o espaço Saibamos que a vida nem sempre é alegria Pois se na manhã há sol a tarde chovia Mas tanto o calor quanto o frio tem poder De lhe fazer sorrir e dar relevância ao seu viver E quando a noite chega no fim do caminho E se ler as angústias vividas Pela ausência de carinho Sabe-se que pedras abriram feridas Também há, no entanto, as cicatrizes Diplomas de vidas agora felizes Que de pedregulho em pedregulhos pelo caminho Podem brindar a felicidade com caríssimo vinho Belém do Pará 31/08/07
16 - AMARGO DESPERTAR © RAQUEL LUISA TEPPICH
Desencantada del amor, de hermosas palabras, juramentos vanos.
Alboradas huecas, almohadas sin nuestros aromas Noches mustias.
Burlaste sentimientos. Dama ingenua cegada por la exacerbación.
Objeto de un ser cruel, egoísta, calculador.
Labios sin sabor a besos, heridas a flor de piel, despertares salados por lágrimas.
Yá , no te amo dijiste una tarde de enero, tomaste tu equipaje.
Aún repican en mis oídos, cuatro palabras asesinaron ilusiones.
17 - MEUS MOMENTOS ENEISA
Foram tantos e todos tão passageiros... só as lembranças ficaram. lembranças que fazem viver. sem elas minha vida seria um vazio. saudades...tudo ficou no passado... agora só recordações dos momentos em que fui feliz.. eu era feliz e nem percebia o tempo passar. agora que me sinto triste...e só... sinto que foram momentos que ficaram para sempre guardados a sete chaves em meu coração. só lembranças...saudades... momentos ah!!! só o que restou. saudades...
São Paulo eneisa@terra.com.br
18 - LÁGRIMAS Sérgio Diniz Barros Guedes
Olhos úmidos companheiros da solidão, lágrimas em cascata ressentimento de uma decepção. As lembranças afloram a memória... O cheiro do campo e a nuvem passageira, contam a minha história. Minh’alma desce aos meus pés, beija meu coração dizendo-me, pobre companheiro, quem ama derrama lágrimas de amor, ao perdê-lo, lágrimas de dor. A vida é veloz, nos consome dia-a-dia e leva nosso pensamento para longe, cruzando os labirintos dos diversos nós. Aterriza o seu trem de pouso, neste seu avião tem outro passageiro querendo entrar, quer voar sobre o mar, quer contigo conversar e para ti cantar uma melodia de amor sobre as nuvens a voar. Não é sonho, é a realidade do passado que só ficou saudade.
http://br.geocities.com/sdbguedes
19 - SOLIDÃO AO ENTARDECER *Emiele* Nas tardes mornas e silenciosas meu coração se enche de porquês... Faz-me lembrar dum certo passarinho que no ramo pia só e encolhidinho... Procurando seu par para se aquecer e juntinhos adormecer. Sentada na cadeira perto da janela Olho os pardais a saltitar nos fios E me causa um certo arrepio Imaginar que em meio às brincadeiras Podem de lá se despencar e no asfalto ver sua vida interromper. Com este pensar tão negro e enfadonho saio da janela e sento num sofá. Vou ver o que se passa na tv além de guerras, acidentes e assassinatos. E pra ficar mais descontente hoje descarrilou um trem na Ìndia matando e ferindo muita gente. Desligo a tv e sento diante do pc. E tentando amenizar a dor do nada coloro com sangue este céu cinzento pois nem eu mesma não me agüento... Ah, se eu pudesse! pintaria no céu um arco-íris para alegrar esta tarde cinzenta de fumaça que mescla de terror meu coração. Mas como é impossível isto fazer chamo você para somar alegria e prazer ao meu querer que grita neste instante de dor e rasga o peito de angústia, solidão e de sofrer. Belo Horizonte, 05/08/2006 - 21:17 horas.
20 - A DOR MAIS FUNDA... Anna Peralva
Num rompante, a palavra se trai Desvanecendo a tela da emoção, Implode inclemente a magia da ilusão E o antigo sonho, cabisbaixo se vai...
Vida em horas vazias, reticentes... Corpo trêmulo, em receios se retrai Quando enfim, a máscara do amor cai Retratando um tempo incoerente...
Desbotado semblante contrito-atordoado, Olhar que traduz a dor mais profunda, No peito, agonizam sentimentos violentados.
Temporal que decepa a raiz da paixão Em sua entranha-terra mais funda. Silêncio fatal cerceia alma e coração...
04/08/2007
21 - ALMA EM TRANSE Lígia Na audácia das misturas recolhidas me arrasto estonteada em agonia sentindo a vida completa letargia sem esquecer as traições sofridas Sou peregrina... ando quase ao léu mas sigo a trilha... vejo ao longe o céu fugir não posso... não posso desistir esse mistério? ...preciso descobrir Forte e dourada ainda sinto a luz em horizonte azul que me seduz vai-se a agonia... vem um novo dia há um futuro onde viverei sem cruz Pelotas,RS,BR 1º.9.07/19h
22 - NOS MEUS CONFLITOS Antonio Cícero da Silva Não sei se subo ou se desço Vivo no mundo a vagar Mas lutando muito permaneço Que preciso a paz encontrar. Muitas das vezes, nada dar certo Que até perco o rumo das coisas Mas já partindo para outra Procuro aproveitar ao máximo o mundo. E assim eu vou vivendo Procurando um rumo sensato Para nunca perecer E na vida irei vencer... http://www.avspe.eti.br/poetas/cicero.htm
23 - EM TRANSE A CHORAR... Maria Regina Moura Ribeiro
Noite escura de transe e amargura... Estrelas não brilham no céu. Saudades... saudades e mais saudades. Na solidão da madrugada, a tristeza amarga de quem não tem para onde voltar... Calada, eu sinto a força que se esvai... Mas continuo seguindo o caminho que trilhei, mesmo sem saber para onde vou... Um dia, algum rumo encontrarei. O vento chegou sussurrando, as folhas agitando. Será que eu continuarei em transe a chorar com as saudades apertando? Ou a vida me trará a paz que não canso de esperar?
São Paulo 1 de setembro de 2007 www.corujando.com.br
24 - SINTO-ME EM TRANSE by Penhah Castro
Sinto-me em transe quando nocauteada pelo seu amor que me fascina... No ring da vida quero estar sem me importar, se você ganhar... Quero a cada dia sorrir quando perto de você me sentir... Acariciada e muito amada... Quero a cada momento pensar que nasci somente para amar.... Aprendo a cada dia as lições do meu coração... Assim eu vivo feliz vivendo e fazendo a colheitado que plantei e colhi... Sinto-me em transe com a emoção que toma a cada dia meu coração...
25 - VIAJANTE Célia Lamounier de Araújo (no meu Livro: Entardecer de Lágrimas)
Viajante que vai indo A colher flores e flores É nosso alguém clandestino Sufocado por amores.
Goza melhor os seus dias Prova fruto já colhido Eu por cá me quedo triste A chorar num só gemido.
Vive, ama, alegra a terra, Acende no olhar a luz Que minha alma sobe serra Levando pesada cruz.
Viajante que vai indo A colher flores e flores Vai indo e por mim vivendo Que morro cheia de dores.
http://celialamounier.portalcen.org celialamounier@yahoo.com.br 26 - RENÚNCIA Suzette Duarte
Saudades não tenho dos momentos trágicos, Ou dos momentos angustiosos, Ás vezes me parecem mágicos, Nada me dizem os dias ingloriosos...
Não falo desses infortúnios para quê? Não os considero bons ou puros, Entram sem saber... como não sei, Assaltam a cada porta, são duros! Não quero falar coisas impuras e vãs, Não trazem valor ou positivo.... Quero o dia hilariante e suas alvas manhãs, Luminoso com o seu pão construtivo. Quero ser luz e doçura, viver com alegria Onde a pureza se transforma em ternura, E o poeta a reúne com mestria, No coração subtil que no ser ainda perdura!
27 - SEM CHÃO Bill Shalders Para que este mar cantando? Para que estrelas a brilhar? Se estou sozinho vagueando Com o coração ferido a chorar Preso num corpo delirando Com pés sem apoio, sem chão Minha alma esta reclamando Doendo está meu coração Vagando, pensando, delirando Sozinho no meio do meu lamento Vou tentando, imaginando Por que tanto sofrimento? Foi nossa briga de amantes No meio de ciúmes delirantes Com palavras escorchantes Jamais voltamos como antes Foram gestos impensados Com arroubos emotivos Foram atos tresloucados Em ações sem motivos Com provérbios impensados Acabou tão amada aliança De seres antes tão amados Morreu a minha esperança Agora é penar no sofrimento Esperando o tempo passar Esperança de qualquer lamento Aguardando um novo despertar Curitiba, 02/09/2007
28 - MOMENTOS DE TRANSIÇÃO Sueli do Espírito Santo Era uma frágil linha divisória ali senti que a vida era ilusória quem eu era...quem era aquela parecia eu mesma em transição preparada para outra dimensão embora desconhecida, tão bela Perto da morte... e tão solitária em transe, na linha imaginária visualizando a minha mortalha como para findar uma história ma foi minha a grande vitória ainda que frágil venci a batalha http://www.sue2001.recantodasletras.com.br
29 - BRISA Rosa DeSouza
O corpo quente, queimado sente, pela brisa da noite afagado, clamado, envolvido, consente. Serás tu vento, quem o corpo abandonado faz fremer? Que esqueço quem és, no afã do prazer? Que pões lágrimas nestes olhos que olham sem ver? Vento doce, brisa quente, que me alerta, continua tua desinibida busca, de mil mãos em descoberta, iguais a essas da lembrança, que anunciam as da esperança. Mas vento, esta carne não arrefeces, nem o sangue acalmas; não vibro, nem tremo. Não tens lábios, não posso descobrir ou palmilhar as marcas de teus passos. Não me podes dizer os obeliscos que serpenteias; nem as florestas que aumentas, nem as ondas que cavas em orgânicos abismos; nem quais os cumes cósmicos e pacíficos, onde tudo começa. Brisa, és prelúdio e lembrança. És saudade que quero descobrir. Em tuas mil vozes és como dormir, trazendo tigres vorazes que me comem sem dó e que anseio o rugir. Mas vento, és pó. ilusão, não me atravessas noutra dimensão. Circulas cortês na devastadora avidez, enganando a vela da insensatez. Meu fogo jamais poderias apagar, minha chama é feita de mar.
Rosa DeSouza www.rosadesouza.com
pergunteaseussonhos@yahoo.com rosadesouza@hotmail.com
30- VOCÊ SOLIDÃO Miriam Cristina (*Lua*)
Você que tira meu sono. Mas não está ao meu lado quando me deito. E não me beija ao amanhecer. Mas que traz cheiros aos lençóis. Fazendo-me passar as mãos pelo travesseiro vazio. Envolve o ar com perfume. Levando-me a buscar por algum vestígio. Alguma digital.
Que dormindo me dá seu sorriso. De olhos fechados o seu olhar. Que toca em minha pele. Você... Existência vazia. Presença ausente. Coração em solidão.
31 - TRANSE DE LUZ Carvalho Branco Se teus gélidos lábios adornam boca, tua boca tão mais sedenta de beijos; se teu corpo magoado verte triste pranto, enquanto pelo véu da noite velada, tua dor, só espectro de tua alma louca, em estertores, expressa teus desejos, manhãs celestes trocam seu alegre canto de floridos caminhos, estrada ensolarada, por ais plangentes gotejando ao vento, pois a ti, o filho, juntam seu lamento! E tu prossegues, indiferentemente, a vagar na sombra, fantasma do ideal, tão cego, pois, quanto as auroras mortas, ao ser ninguém, em sendo, descontente, não mais humano ser ou mineral... Sem grandes esperanças, buscas novas portas e a teu caminho só clareia o sangue em teus olhos vermelhos como dois faróis... Com eles, atravessas secos rios, mangue, onde não crescem lírios, nem mais girassóis... Só não percebes que, ao te sentires tal morto-vivo, múmia ambulante, ao teu caminho não vertendo olhar, sem nem aos pássaros veres e ouvires, Como, dos beirais, ornado cantante, adubaste a terra com o teu pisar... e da saudade, brotaram as flores, que ao prado árido pintaram com cores, maduros frutos, essências, madrigais... enxugando prantos e todos os teus ais!... Só não percebes que, à noite, as estrelas brincam e a Terra é iluminada por raio de luar... Que o Sol, ao dia, aquece, raios de luz que em tua alma perpetuam e fincam a esperança-verde da água do mar... Só não percebes que se é pesada a cruz que tu e cada um de nós carrega, a chuva que cai em cada madrugada mata a sede e o canteiro da alma rega... É a Natureza a compor-nos uma balada!...
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