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1- INCERTEZA... Ferdinando©
O vento geme sobre o alongado cipreste Que se esconde por detrás das casas, Filtrando raios de sol e desespero, Nas horas escritas dos nossos dias, Paradas na noite, onde insectos falam.
Nas ruas tingidas do nosso sangue, Morreram promessas de cidades Em cada minuto, feito de criança.
Inventam-se jornadas sem futuro, Que magoam a nossa magra esperança. Tantos gritos em progresso primitivo, De histórias repetidas de façanhas.
Fala o homem sobre o rubro do mundo Onde se desata o espanto do meu gesto... Ante a primavera que não chegou a florir, Pois as rosas nasceram desfolhadas!
Germany 03-10-10
PELA PAZ . Poeta ! Lígia Antunes Leivas
Não vale a ventania dos sonhos nem a calmaria dos ventos. Não vale a placidez dos lagos nem o brilho sideral.
De nada adianta cantar o verso ou traçar o poema lírico se a teu lado tens teu irmão que chora e clama por piedade e cai combalido, desfalecido atingido pelo clamor do canhão pelo míssil programado que ceifa vidas inocentes que correm pelos campos pelas ruas, pelos bosques na fuga ensandecida do amargo da dor.
Seres que sofrem... Nem sabem eles que a injusta justiça de insensatos comandantes disfarçados de governantes manipulam vidas qual marionetes no palco. . POETA ! És artista das palavras ! Burila-as ! Espalha-as pelos recantos do mundo que te escuta ! É ela - a tua PALAVRA ! - por paradoxal que seja, a mais pacífica arma capaz de ganhar as guerras e distribuir a PAZ ! . Lígia Antunes Leivas Embaixadora Universal da Paz Pelota
Em Nome... *Katarina Madeira*
Em nome da Lei se julga Se condena e se intimida
Em nome de um País Fazem-se guerras sem fim Fomenta-se a fome A miséria e a discórdia Aumenta-se a poluição Destrói-se o Mundo Incute-se a corrupção
Em nome de falsos moralismos Julgam-se os homens pela cor Discriminam-se os diferentes Criticam-se os inocentes
Em nome do que se quer Mente-se sem preocupação Com cinismo até mais não Deixando no chão espezinhado Qualquer pobre cidadão
E os Direitos do homem??? Será que não teem nome? Em nome desses Direitos que podemos nós fazer? Gritar, lutar, debater para quem os entender
Em nome do meu coração Gritarei a vida inteira Por o que julgo correcto Por o que sonho e anceio
Se de louca for chamada Por os ideais que tenho Serei apenas mais uma Num mundo débil e insano
Barreiro - Portugal
2- DELAÇÃO Ferdinando©
Há medos espalhados pela noite Arrefecendo a luz do nosso olhar, Os ventos de nuvens, em açoite Entorpeçam o nosso caminhar!...
O choupo se torna alongado Cortejando o silêncio da ermida, E o luar se senta ao nosso lado Num gesto que adoenta a vida.
Na paz, onde há choro calado, Grita ainda um sonho matizado... - a vida é o eterno par da morte;
A alma é um livro de memórias, A crina de um cavalo de vitórias, Na louca aventura de ser forte!
Germany 19.04.10
A LIBERDADE DO NADA Odir, de passagem
Em meu corcel cavalgo a liberdade estimulada pelo espaço aberto entre os sonhos sortidos de saudade e o pensamento, que me faz desperto.
Meu caminho é de paz. Em paz, quem há de sentir distância estando a paz por perto? De senso e de saudade eu sou metade e da outra metade eu sou deserto.
A vida que se vai me leva à frente, no silêncio da noite enluarada, numa contínua e comunal corrente.
Cansa meu corpo a crua caminhada, cansa meu credo a cavalgada ingente da liberdade de não ser mais nada...
oklima JPessoa, 19.04.10
3- HIPOCRISIA Ferdinando ©
Desces na noite abraçando o tojo Dançando aos olhos da desgraça, Caminhas pela lama a meter nojo Como bruxa descalça pela praça.
A tua febre semeia só vingança Com disfarce no mundo do amor, Escureces a estrada da esperança Como cardo pisado em teu louvor!
Vestes as palavras de promessas, Como o rio que cursa às avessas Perdendo para sempre a sua foz...
Um dia esconderás teu frio rosto Cansado, e pensativo, ao sol posto Num choro que grite já sem voz!... Germany 20-05-10
FRIEZA... Theca Angel
Não compreendes minha descrença Não atinas com a amargura Perdida jaz, da fé, a pertença, No dissolver de tua ternura.
Pensas na tormenta vingativa, Imaginas máscaras ao amor, Crês incólumes tuas assertivas... Teu frio deserto ignora a dor .
Promessas viste no olhar premente? Rios de ilusões a cair ardentes Nas lágrimas derramadas em vão?
No pedido por erro não concebido Estaria a absolvição do banido Na misericórdia de um perdão .
BRASIL 20-05-10
4 -SEM VOCÊ
Um pensamento, uma saudade, Pelas ruas não mais te vejo, Tua lembrança no peito arde, Você se foi, sobrou desejo...
Sigo te amando, você nem liga, Me sinto só, já não te importa, A dor que dói, ninguém mitiga, Até pareço uma folha morta...
O teu perfume me lembro bem, Aroma doce que a rosa tem, Ficou em mim e não sai mais.
As mãos procuram ainda por ti, Minha alegria, o que me faz ri, Mas, sem você, não tenho paz !

SEM TI... Ferdinando©
Sem ti vazios eram os caminhos da vida, o sol se esquecia de nascer cada manhã. As rosas choravam silenciosas nos roseirais, e o negrume assolava o meu enlutado viver!...
Os dias outonais cada vez sempre mais frios, num murmurar tristonho dos segredos, num silêncio maior do que as palavras, saídas dos meus gestos de ansiedade...
Sem ti o nosso leito está mais frio! No letargo das nossas horas ternas, escondidas hoje atrás dos tempos, numa soturnidade que agita a saudade...
5- O FINAL ! Ferdinando©
Já morreu o cenário da esperança, A luz do sol, a cama do poente... Ficou a injustiça como herança Escondida aos olhos da nascente.
Nasceu a tempestade sem bonança Numa voz que magoa inclemente, Chora a brisa sobre a várzea mansa, Em promessa que se faz doente...
Quando a noite fere o nosso olhar, É o tempo que nos quer lembrar, Que a vida se gasta num instante...
Avança o final da nossa caminhada, Memórias, sobre a pedra recalcada, Onde o olhar da morte é viandante!
Germany 29-12-10
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FINAIS E RECOMEÇOS Odir, de passagem
O vento, de repente, fica mudo. O mundo pára, enquanto segue em frente nascentes passos, partos de mais gente com mais urgências e mais conteúdo.
Somente, para um, o fim de tudo! A árvore que tomba sem semente. O coração bater não mais se sente. Falência fulminante, infarto agudo!
Há círios fumegantes numa sala, fereza de final como se fosse expressamente proibida a fala!
Mas lá fora se acende o que apagou-se. Falas, cantos, sorrisos se propala versando a vida como é bela e doce!
JPessoa, 29.12.2010
6- DONAIRE Ferdinando©
Silêncio de luz erguendo-se das trevas nascida das espumas do Mar errante... as Deusas soberbas foram tuas servas, atrás do horizonte, em oblíquo distante.
Fizeram-te amor, ficado em cada peito como o olhar em gesto pedindo vidas. Volitam lendas, nascidos no teu leito no pôr do Sol, em auroras repetidas!
Teu semblante, no anelo azul do infinito ameno gesto, que chama como um grito em sorrir de sonho, que desenha amor!...
A vida se tornará cinza, em frio jazigo o ventre infindo das areias ficará contigo, eternizando-te amanhecer de uma flor!
Germany 28-06-08
POR QUE FOSTE SER MAR? Odir, de passagem Por que foste ser mar, de mar afora, sem avisos dos portos de chegada? Por que para além-mar tu foste embora na calada da noite, tão calada?
Esse mar que cruzei de foz em fora, calou-se para mim, não me diz nada! Somente, se me vê, nas ondas chora, enquanto nele choro a madrugada!
Por que foste ser mar? Por que partiste para o longe mais longe dos lugares que nunca naveguei, que jamais viste?
Por que mandaste pena aos meus penares, por que fizeste o mar chorar tão triste, por que foste ser mar em outros mares?
JPessoa, 13.02.2011 oklima
7- Segredos e Perfume (Rondel) Maria Thereza Neves Brincando com as palavras, sonhando, Nas entrelinhas segredos e perfume. Aromas despertando, aconchegando , Carinhos marcados como um belo filme. Momentos vivos fio a fio deslizando... Compondo a doce sinfonia do romance. Brincando com as palavras, sonhando, Nas entrelinhas segredos e perfume. É tão doce retornar caminhando ..., Dançado boleros,tangos imaginários , Crepúsculos ainda acendendo o mundo Mesmo em versos tão contraditórios..., Brincando com as palavras, sonhando. Brasil-21/01/2011 ****
SEGREDOS DAS PALAVRAS (Poema) Ferdinando
Brincando em segredo fui espreitar Na calma que a vida adormecia... No silêncio do teu quarto quis deixar Tantos sonhos perfumados de magia. A brincar com as estrelas fui feliz, Num romance feito de algodão Nas pródigas manhãs deixei raiz, Transcendente no tempo e na razão. Na ternura de beijos fui constante Numa crença de sentir horas do sol. No coração de tempo fui amante, Dançante pela vida em arrebol.
Germany 22.02.10
8- Sou o teu poema... Maria Thereza Neves
Que abre as portas do coração , Tuas janelas ,doces manhãs fascina , Lateja nas veias da noite com emoção. Sombras que misturam, lua que alucina !
Sou os versos tecendo rendas,magias Com insanas , insensatas loucuras ... Acordando carícias todos teus dias, Rimas com lembranças tão maduras!
São minhas,nossas palavras macias, Sensuais, incendiavam como fósforos, Queimavam com beijos, peles e poros.
Hoje, o relógio repete as horas , Traz de volta os tempos de outrora, Os finais momentos de aurora ...
13/06/2011
ETERNIZEI O TEU POEMA Ferdinando© Quando te olhei na serra das paixão Como o sol ridente em cada dia. Fizemos da vida a crença e a razão... Castidade branca, poema de magia. Escrevi na carne quente do teu desejo, Em secreta esperança que enlouquece Quando o luar espreitava o nosso beijo, Numa chama que anseia e aquece! Guardo ainda o gosto dos teus versos Lá cantam os amores mais diversos Em palavras que a noite incendiou... Do jardim que adornemos no passado Fica um longe mais perto recordado, Em romance que o tempo eternizou... Germany 17-06-11
9- METAMORFOSE Ferdinando©
As árvores se despem tristes e a s raízes cavam mais fundo. No figurino do medo e da distância, mora a voz muda da nossa razão, onde o território da alma se defende.
As aves planam um olhar ausente sobre as pedras cansadas da idade, caladas sobre o vermelho dos montes. As rosas tristes já não se namoram, nem se abraçam aos poemas...
Cada palavra fomentada de razões adormece no vago, cansada e triste sobre a terra húmida do nosso choro, sem sinal de andorinhas de esperança que não trouxeram a primavera.
O fadiga percorre o convés do corpo.... voamos para o final, adornando medos dentro da insana carruagem do tempo!
Germany 10-07-11
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METAMORFOSES DA MADRUGADA Maria Thereza Neves
Voando na madrugada no cinza quase preto no frio que ultrapassava as vestes penetrava no sentir da pele e o olhar sempre a procura da beleza no silêncio da escuridão no percurso da madrugada.
A lua mostrou a cara cheia com rastros espalhando luzes mas o sonho durou pouco neste caminhar do luar olhar porque as portas do infinito se abriram despencando chuvas sobre a terra gotas da vida apagando o negra noite, deixando viva a cor cinza .
A metamorfose continuou em cada passo em cada estrada percorrida. O sol espantou a chuva apagou a lua abraçou com seu calor a terra ainda adormecida acordando os pardais plantando cores arco-íris ligando montanhas em esparsas nuvens colorindo cristais nas mãos da poesia .
Juiz de Fora/MG/Brasil
10- VOLTARÁS ! Ferdinando© Theca Angel
Partiste um dia, ficou a saudade Chora o cais no largo dos ventos Na haste sublime da vontade. És a brisa para os meus lamentos
O que é a saudade senão tristeza Por um sentir que o tempo levou Fica no peito o ferrão da incerteza A magoar o coração de quem amou.
Fito a larga dimensão da alvorada Numa fé de te ver chegar um dia Cursarei só, a minha caminhada Abraçando-te no seio da magia.
A partida marca na alma o fim Do que um dia pensou-se infinito Ainda que, a esperança em mim Seja indestrutivel, quase um mito.
O leito que deixas-te já está frio, Mas permanece terno e macio, Nas horas despertas de ansiedade.
Tento não pensar no que seria Se o amor reconduzisse, um dia O que foi passado ao presente.
Sei que voltas um dia ao anoitecer, E em sonhos dourados vais nascer Para vestires de amor a eternidade
Luto para tirar de minha mente O sonho de amar a ti, somente... Mas sinto meu esforço esmorecer!
Germany 18-09-11 Brasil 20-09-2011
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